23.6.06




God Bless Our Homeland Ghana

God bless our homeland Ghana
And make our nation great and strong,
Bold to defend forever
The cause of Freedom and of Right
Fill our hearts with true humility,
Make us cherish fearless honesty,
And help us to resist oppressors' rule
With all our will and might evermore.
Hail to thy name, O Ghana,
To thee we make our solemn vow:
Steadfast to build together
A nation strong in Unity;
With our gifts of mind and strength of arm,
Whether night or day, in the midst of storm,
In ev'ry need, whate'er the call may be,
To serve thee, Ghana, now and evermore.
Raise high the flag of Ghana
And one with Africa advance;
Black star of hope and honor
To all who thirst for liberty;
Where the banner of Ghana free flies,
May the way to freedom truly lie;
Arise, arise, O sons of Ghanaland,
And under God march on for evermore!

16.6.06

SETE VEZES NÉLIDA

1. "Depois de 20 dias [em Santiago de Compostela], diante da catedral de lá, eu vi umas quatro velhinhas, sem dentes e vestidas daquele negro eterno [...]. Uma hora, eu me aproximei e entendi todo o galego que diziam. [...] naquele momento, disse: ‘Meu Deus! Entendo tudo!’"

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2. “[...] é comum evitar-se qualquer laço afetivo com o colega de trabalho porque você sabe que vai ter de inevitavelmente atropelá-lo.”

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3. “Quanto mais você escreve, mais se dá conta de que é dificílimo escrever.”

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4. “[...] minha narrativa é sempre contundente. Meu estilo é marcado por inícios fortíssimos.”

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5. “Se eu não entrar na memória das pessoas, no coração, na genitália, me sobra muito pouco.”

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6. “Muito novinha, eu já dizia que queria escrever uma obra, não um livro.”

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7. “Na Espanha, eu levava os cordeiros, as ovelhas, as vacas da minha avó para o monte.”

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9.6.06

Você é um sujeito que gosta de ler mas tem, digamos assim, certas limitações. Seus axônios, dendritos e sinapses não dão conta de frases que você julga rebuscadas e raciocínios que você acha rococós. Seu vocabulário esquálido o impede de ler Li-te-ra-tu-ra sem o auxílio para você inescapável de um dicionário, e você ODEEEEEEIAAAAA abrir dicionário, o que significa que você não consegue deixar de ser burro. Mas seu problema não é exatamente este, uma vez que é perfeitamente possível viver toda uma vida sem saber que os acantoquitoninos representam uma subordem de moluscos anfineuros, o que você também não tem a menor idéia do que significa e devo dizer que nem eu.

Seu problema é que você tem amigos que amam os clássicos, só lêem os clássicos, só falam dos clássicos, em outras palavras, você é uma anta metida a culta que prefere ficar ali, meio com cara de pinhóim, soltando um "HAHAHA" ocasional e sonoro, um "Você tem razão" aqui, outro "Eu não tinha pensado nisso" ali, acolá um "Não é incrível?", numa tentativa ridícula de ocultar sua ignorância em vez de procurar sua verdadeira turma, digamos, num baile funk, ou em centenas de milhares de blogs que se pandemizam pela rede, ou entre os leitores das dezenas de romances nacionais publicados atualmente às fornadas no Brasil (embora eu me pergunte se, apesar de todo o auê da imprensa especializada, tais romances têm mesmo leitores). Você gostaria de participar da conversa de seus amigos, mas como? Se ao menos você conhecesse a história de cada livro (sim, pois para você literatura é só entretenimento e o que interessa é a historinha), até poderia arrotar uma certa intimidade com as letras e dizer, "Mas o Bentinho não é assim meio viado?"

Pois agora, meu caro jumento, você vai poder arrotar à vontade.

Foi para você, que quer cagar erudição mas tem o vocabulário de um Paulo Coelho e a capacidade de raciocínio de uma Bruna Surfistinha, que criei a sensacional coleção TESOUROS DA JUMENTUDE. São vinte volumes em papel cuchê, ricamente encadernados em couro e filigranados em ouro (sim, porque burro gosta de livro aparatoso, cheio dos luxos, pra fazer vista na estante e as visita achá chique, sacumé), trazendo os maiores clássicos da língua portuguesa, todos em edição bilíngüe (alfabeta/analfabeta), como, por exemplo, o badaladíssimo Machado de Assis e seu pra lá de batidoDom Casmurro:

PÁGINA ALFABETA

Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua as publique. Um antigo dizia arrenegar de conviva que tem boa memória. A vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um deles, conquanto a prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir agora o nome de tal antigo; mas era um antigo, e basta.

PÁGINA ANALFABETA

Tem umas lembranças que só param de encher o saco quando alguém escreve ou fala delas. Um velho aí dizia que ficava puto com convidado que lembra de tudo. A vida tá cheia dessa gente, e por acaso eu também sou assim, apesar de poder provar que sou gagá porque não me lembro agora do nome do velho aí que eu falei; ele era velho e pronto.

Ou o clássico já embedelhado pela Rede Globo, O Ateneu, de Raul Pompéia, aquela rua de Copacabana:

PÁGINA ALFABETA

Depois que sacudi fora a tranca dos ideais ingênuos, sentia-me vazio de ânimo; nunca percebi tanto a espiritualidade imponderável da alma: o vácuo habitava-me por dentro. Premia-me a força das coisas: senti-me acovardado.

PÁGINA ANALFABETA

Depois que deixei de ser um mongo lesado, fiquei desanimado; pela primeira vez entendi que a alma não pode ser medida nem pesada: fiquei oco. As coisas ficaram com um peso danado: amarelei legal.

Mais um aperitivo, afinal este post deverá durar uma semana inteira para vocês, pois não, meus eus burrinhos? Vamos então a Eça de Queiroz e seu suculento Fradique, dando uma pinta das boas:

PÁGINA ALFABETA

Era um moço com cabelos ralos e cor de manteiga, sardento, apagado de idéias e de modos -- mas que despertava e se iluminava todo quando lograva "a chance de roçar por um homem célebre, ou de arranchar numa coisa original".

PÁGINA ANALFABETA

Ele era um cara meio careca e amarelinho, todo pintado, burro e sem-jeito -- mas que ficava um Amaury Júnior de tão assanhado quando conseguia "se esfregar num sujeito famoso ou se juntar com uma novidade".

Alguns de meus eus me indagam por que a maravilhosa e esclarecedora coleção TESOUROS DA JUMENTUDE não traz traduções de obras estrangeiras. O motivo é muito simples e perfeitamente compreensível (façam um esforço que vocês conseguem, meus eus). Uma palavra não é apenas um som, um bololô de fonemas; ela é também, em alguns casos principalmente, uma imagem evocativa. Sempre que leio "dizziness", por exemplo, sou tomada duma tontura psíquica que a palavra tonteira jamais conseguirá provocar. Certamente os franceses encontram um significado muito maior em "pomme de terre" do que nós em nossa prosaica "batata". Os alemães devem levar uma tijolada mental ao lerem "Gedankenübertragung", o que indica que a telepatia germânica sem dúvida é muito mais poderosa do que a nossa. Conclui-se daí que uma tradução já é, em si, uma paulocoelhização do texto. Seria uma redundância paulocoelhizar o que já está paulocoelhizado.

Mas a poesia, essa coisa sintética, um tanto hermética e, por que não dizer, caquética (sim, pois que existe desde que os gregos aprenderam a dizer alfa-beta-gama-delta, merda de blogger que não tem alfabeto grego, e -- meus eus hão de concordar comigo -- qualquer coisa, depois de tantos séculos de existência, não pode manter um frescor assim tão juvenil, que o digam a Hebe Camargo, o Paul McCartney e o meu pinico de ágata), também a poesia terá um volume todo seu (seu mesmo, dileto e iletrado leitor), por exemplo Gregório de Matos:

PÁGINA ALFABETA

Tempo, que tudo trasfegas
fazendo aos peludos calvos
e pêlos tornar mais alvos
até os bigodes esfregas:
todas as caras congregas,
e a cada uma pões mudas,
tudo acaba, nada ajudas,
ao rico pões na pobreza,
ao pobre dás a riqueza,
só para mim te não mudas.

PÁGINA ANALFABETA

Tempo, metido descarado
que põe careca o cabeludo
e cabelo branco em tudo
nem o bigode é poupado;
os mané é tudo ajuntado,
tudo de boca fechada,
arrasa tudo, não ajuda nada,
o rico cai na pobreza,
o pobre ganha a riqueza,
e eu na mesma parada.

Os demais volumes trazem José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Aluísio Azevedo, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Bernardo Guimarães, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Pe. Antônio Vieira, Afonso Arinos, Josué Montello, Franklin Távora, Joaquim Manuel de Macedo, Campos de Carvalho e Hilda Hilst (os dois últimos merecem figurar entre os clássicos e são terrivelmente incompreendidos).

E aí, alguém vai querer?

2.6.06

Depois de zilhões de súplicas para que eu voltasse feitas pelo espelho -– pois que de uns tempos para cá falo apenas com meus inumeráveis eus, todos muito sábios, perspicazes e brilhantemente inteligentes, é claro -– resolvi atender a meus próprios apelos. Mas não em espaço fedido a mofo, que não sou mulher de andar para trás, nem em cafofo alheio, como me foi oferecido (houve quem cometesse essa temeridade). Aqui mesmo.

Como há tempos me enchi do clássico esqueminha de um post diário, e me surpreende que milhões ainda cumpram este ritual na esmagadora maioria das vezes absolutamente inócuo e inútil, este blog, que na verdade é melhor definido como um bweekly, só terá um post por semana.

Sendo eu escrevinhadora compulsiva, naturalmente serão posts enooooormes, como este, para enfado dos descerebrados e delírios orgásmicos de minha horda de admiradores, os meus queridos e fiéis leitores eus.

Bem sei eu que leitor de blog raras vezes consegue passar de um segundo parágrafo, por um de dois motivos óbvios:

1. É também blogueiro e tem de visitar um sem-número de blogs para fazer sua politicagem de boa vizinhança e bom-mocismo e garantir uma audiência agradecida para seu próprio blog. Convenhamos que é humanamente impossível ler textos enormes em uns 300 blogs por dia, e ainda por cima deixar comentário para mostrar que apareceu, leu e, é claro, gostou (mesmo que não tenha entendido porra nenhuma).

2. É meio analfabeto.

Tais leitores burrinhos, que evidentemente não conseguiram chegar até esta linha, podem desfrutar de minha sabedoria aos pouquinhos, digamos, lendo um ou dois parágrafos por dia, e assim terão material para ler a semana inteira. Justifica-se assim um por semana.

Os leitores eu diria melhorzinhos, com fôlego nos olhos, lerão tudo numa sentada mas, dada a profundeza de minha verborragia, terão os demais seis dias da semana para ruminar e absorver minha ciência. Justifica-se novamente um por semana.

E eu, necessitada de atender à ponderada compulsão ególatra de ler a mim mesma de vez em quando, livro-me da camisa de força da escrevinhação diária.

Como meus eus podem ver, agrado assim a curdos, sunitas e xiitas num bombardeio só.

Há um puxadinho para quem quiser meter o bedelho deixando comentários. Se não houver quem queria, foda-se. Os caramurus de meus eus já me bastam.

O template, grande preocupação de blogueiros brasileiros (os portugueses estão cagando para isto), continuará este pretinho básico mesmo. Quem quer aparência oca tem milhares à disposição, não precisa vir aqui.

Não haverá mail de contato. Que meu padim Ciço me proteja da sanha persecutória de uma gente maluca que povoa os bastidores dos blogs. Quem me conhece, conhece, quem não conhece está perdendo muito mas eu não tô nem aí, não dou. Há décadas passei da fase pueril de querer rechear agenda telefônica com nomes de “amigos”. Se é pra aturar maluco, neste aspecto os meus eus também me bastam.

E assim despeço-me. Na semana que vem, discorrerei sobre meu próximo lançamento editorial.